Mayara Macedo Assis
AMOR É SABER PONTUAR
Quando eu te conheci você era exclamação dando ênfase e alegria ao final de cada enunciado era sempre uma euforia estar ao seu lado! Com o tempo você foi se tornando vírgula colocando pequenas pausas na nossa relação ora perto, ora longe, ora sim, ora não Para diversificar você se tornou interrogação Havia amor entre nós? O que eu era para você? O que queria de mim? Por quê? Para me deixar pensando você me deu reticências e eu não entendi, me pareceu vago e incerto você queria manter nossa história em aberto... Para me manter no enredo você me deu parênteses eu poderia caber ali num espaço reduzido (porque o seu texto já estava meio comprido) O problema é que parênteses não me servem não consigo ter coesão num espaço tão pequeno sou texto inteiro e não uma linha em narrativa alheia não posso ser só um fio na sua elaborada teia eu sou metáfora, figura de linguagem e você tentou fazer de mim um sinal gramatical olho por olho, dente por dente te pago na mesma moeda e te transformo em ponto final.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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