O Amor é Um Grito · página 275

Mayara Macedo Assis

AMOR É SABER PONTUAR

Quando eu te conheci você era exclamação
dando ênfase e alegria ao final de cada enunciado
era sempre uma euforia estar ao seu lado!

Com o tempo você foi se tornando vírgula
colocando pequenas pausas na nossa relação
ora perto, ora longe, ora sim, ora não

Para diversificar você se tornou interrogação
Havia amor entre nós? O que eu era para você?
O que queria de mim? Por quê?

Para me deixar pensando você me deu reticências
e eu não entendi, me pareceu vago e incerto
você queria manter nossa história em aberto...

Para me manter no enredo você me deu parênteses
eu poderia caber ali num espaço reduzido
(porque o seu texto já estava meio comprido)

O problema é que parênteses não me servem
não consigo ter coesão num espaço tão pequeno
sou texto inteiro e não uma linha em narrativa alheia
não posso ser só um fio na sua elaborada teia
eu sou metáfora, figura de linguagem
e você tentou fazer de mim um sinal gramatical
olho por olho, dente por dente
te pago na mesma moeda
e te transformo
em ponto final.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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