Matile Facó
ENTRE O SOPRO E O SILÊNCIO
Na trama delicada do ser, onde se aninha a dúvida, Emerge a pergunta, tão antiga quanto o primeiro olhar, O que é o amor, senão a ponte invisível que se estuda, Entre almas que se buscam, no desejo de se encontrar? É o sopro gentil na nuca, em noite de verão, O abraço que envolve, sem sufocar, sem prender, No olhar, um universo, um convite sem razão, Que nos leva a mergulhar, mesmo sem saber nadar. Nas palavras não ditas, no toque que arrepia, No silêncio compartilhado, duas almas a sorrir, No amor, a simplicidade, a complexa magia, De sentir-se completo, sem precisar definir. É o gesto pequeno, a canção no rádio, ao acaso, A xícara de café na mesa, o bilhete junto ao travesseiro, No cotidiano, o amor se revela, passo a passo, Nas pequenas coisas, o sentimento verdadeiro. Assim, o amor se desenha, na vastidão do universo, Não como uma resposta, mas como eterna questão, No encontro de olhares, no verso e no reverso, O amor é o eterno dançar entre o sopro e o silêncio.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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