O Amor é Um Grito · página 274

Matile Facó

ENTRE O SOPRO E O SILÊNCIO

Na trama delicada do ser, onde se aninha a dúvida,
Emerge a pergunta, tão antiga quanto o primeiro olhar,
O que é o amor, senão a ponte invisível que se estuda,
Entre almas que se buscam, no desejo de se encontrar?

É o sopro gentil na nuca, em noite de verão,
O abraço que envolve, sem sufocar, sem prender,
No olhar, um universo, um convite sem razão,
Que nos leva a mergulhar, mesmo sem saber nadar.

Nas palavras não ditas, no toque que arrepia,
No silêncio compartilhado, duas almas a sorrir,
No amor, a simplicidade, a complexa magia,
De sentir-se completo, sem precisar definir.

É o gesto pequeno, a canção no rádio, ao acaso,
A xícara de café na mesa, o bilhete junto ao travesseiro,
No cotidiano, o amor se revela, passo a passo,
Nas pequenas coisas, o sentimento verdadeiro.

Assim, o amor se desenha, na vastidão do universo,
Não como uma resposta, mas como eterna questão,
No encontro de olhares, no verso e no reverso,
O amor é o eterno dançar entre o sopro e o silêncio.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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