Hermínia Castro
Sem título
Você é de ninguém, querido Transparece essa revelação Seja sua solidão sua volúpia seu apetite Não calunia seu coração errante, querido Seja dolorosamente esse que vai embora Não se acanhe Há muita coragem em seguir sem rastro Vai, querido! Vai e leva contigo a dor efervescente que amaldiçoou a Bossa Nova, o Dois Irmãos Edu, Tom e Monittelli Leva com você essa espera que não descansa Vai e leva o poema de amor Depois, sei que te encontro neste mesmo lugar Você vai chegar na velha embriaguez de suas andanças e das canções desesperadas Os pés pelas mãos as etiquetas presas no solado do sapato e eu novamente amarei sua presença rota
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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