Marina Ribeiro
VERBO PROIBIDO
Se o amor não é para todos, para que amar? Se não é permitido, qual o sentido do verbo? Quando se perde a ação, para que verbiar? O amor, ele não faz sentido Talvez ele seja só um suspiro Daqueles que não se permitem amar... Ou ele seja um tirano que aprisiona Os proibidos do tal amor normativo — Ele não existe, ele nunca existiu. Nos rumores desses males amores Nenhum amor é normal, Nos tempos da selvageria, ele era irracional Agora querem calcular uma razão matemática Quantas batidas fazem o coração? Quantos neurotransmissores no cérebro? Qual a linha cartesiana do amor? — Vamos proibir o amor, porque desse tal jeito É inapropriado, não é amor. Então vamos amar às escondidas, Amar em segredos Fazer desse verbo uma ação única e só nossa. O amor não é para ser visto. — Ele foi proibido em todas as instâncias da vida, E da pós vida, se ela existir. Acontece que é, e repito em letras garrafais PROIBIDO AMAR.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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