O Amor é Um Grito · página 101

Felipe Verlaine

CLANDESTINOS

Sei que sou um clandestino em seu coração
Fui aos poucos buscando encontrar um espaço
Um lugar que ao menos permanecesse presente
Sem necessariamente ser notado, para assim
Quando você perceber ser tarde demais
Para mandar eu sair.

Eu sei o destino final dessa viagem
Mas o que me empolga é desconhecer o caminho
Leve o tempo que for
Quero mergulhar em ti e no que faz ser você
Me embriagar com a saudade de dias distantes
Para saciar o desejo de querer você aqui comigo.

Acho que deixei de ser levado pela maré
E me tornei o oceano inteiro
Quando você veio e percebeu que eu estava escondido em ti
E não teria saída a não ser se entregar
Estar em águas imprecisas porque é o que te move
Até eu chegar em sua boca e despejar todo desejo.

Faz um tempo que eu guardava comigo algo especial
Algo que sinceramente eu não sabia dar nome
E só agora entendi que essa seria a ironia da vida
Eu clandestino em um coração
Não perceber que você já estava aqui silenciosamente
Agora eu já tinha um nome para o que eu guardava de especial
Clandestinos é o que somos,
E o que somos é amor.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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