O Amor é Um Grito · página 40

Yueh Fernandes

MUTAÇÃO

Tocaste meu âmago,
E revolvesse
Um levante em minhas entranhas
Transmutação do meu ser

Alterasse a essência da mulher habitante
Do meu corpo,
Tímida, taciturna, eremita reclusa
E tu alquimista

O que manipula os elementos e explora
Dando forma e cor às coisas
Preenchendo minhas carnes com o teu amor

A tua saliva, o teu hálito,
Teus dedos delicados de pianista ávido
Antes de ti, nada
Depois de ti, nada

E brilhando olhos de luz intensa
E de doçura estelar
Na escuridão profunda do cosmos de mim
O meu ventre que borbulha

Com a tua matéria em revolução,
Fecundo contigo, de mim e de ti
Minha alma feito útero gesta
O sentir e o estar

Estar tua, ser tua
Me tocasse, me transformasse
Nasce de mim outra coisa, outro ser
Quimicamente alterado, na substância

Organismo mutágeno
Despetalando-me em mil flores,
Exalo perfume
E meu aroma clama por ti, é feito para ti

Para que só tu sintas
Meus odores são teus
Tua, toda tua em cada haste
Da cabeça aos pés, tua

Amante equina, cavalgo sob a lua
Égua negra em direção a ti
Ama-me, habita-me, preencha-me, transmuta-me

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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