Yasmim Abrahão Raposo
A EFEMERIDADE ARDENTE DE HARMONIZAR
Em todos os retalhos de papel, as gavetas escusas, as caixas escarlates de lembranças, estará impresso ou violentamente desenhado este escopo rubro. Cada curva se disseminará com aquele jazz de outrora. As bossas intrínsecas do tango, os passos singelos da valsa, e as ternas harmonias, se entregam de maneira insana. Une-se carne, folha, lápis, lábios: orquestra! Tecem as ligeiras sinfonias que contornam os seios, a voz se acalenta na conquista de encontrar a quem pertence, o nu desiste de agradar o pudor, a moral se cala taciturna; o belo é indiscutível, inevitável, inalienável. Afogam-se loas e resgatam samba, os ritmos já não se adequam, demandam! As raízes corporais se fincam nesse chão infértil, ali se curam, se aquecem, se revoltam, se perdoam, florescem. Quem perpassa essa epifania não ousa nomear o caos que se aluou, o medo rodeia o ser profano e sensível; emocionam-se, pois o cru torna-se doce e as dores realizam pedidos negligenciados. Agrada chamar os sorrisos de sonho. Agrada chamar a catarse de vida. Mas a essa dualidade, abastece o onírico olhar pulsante. A resposta é entregar-se como se o instante fosse eternamente uma completude que transborda e lateja... sem parar! O presente é inteiro. O fim é ébrio. O tempo é flagrado de joelhos, livre! Que chamemos essa liberdade de amor;
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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