Tati Sousa
DESORAS
Tua língua entre minhas coxas, perdida nas entrelinhas do poema, some na buceta que te sonha. Antes que o galo cante três vezes, foge nas badaladas do relógio, e vem! Sem convite. Sem carta de anuência. Sem vergonha. E se amanhã! Por que amanhã demora. E o peso do teu silêncio desbota o desejo que arde nos lençóis da minha cama solitária, vibrador abandonado sem pilhas, dedos escorregando a de te chamar, (aos gritos...) Te pedindo – Me come, gostoso! Não pára! Me cansa! Me abre até onde o rio é grande E encontra o mar que rebenta na praia.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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