Rosely Aparecida Daltério
FLOR NO CAMINHO
Amor: será que dá em árvore, cresce no galho, busca um atalho e floresce no ar? Amar: será que amar dá trabalho? Como será que seria se o amor durasse um só dia, flor de breve exposição? Amor que sequer rimaria, ainda assim mereceria fazer par com algum coração. De que flor se trataria? Flor de amoreira, labor de bicho-da-seda, fiando o amor que viria como a flor da cerejeira, já cantada por Neruda em primavera atemporal? Ou seria tão somente uma muda, tímida e única, escondida em algum quintal? Amar, amor, amoreira: breve flor, flagrante aroma de flor passageira, no encalço do amante de olhar peregrino, sem eira nem beira, que leva, nos olhos, o caminho.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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