Pedro de Oliveira
PRIMATA
todo dia é o dia da minha morte,
filha,
quando estou com você.
( e essa é a melhor vida que existe )
todo dia chove e faz sol.
eu daria o baço, um rim, os olhos e a carcaça toda
pra você n u n c a saber o que é
dor.
seus olhos pretos são meus
mas eu caibo
( inteiro )
dentro das suas mãozinhas ossudas
foi o cheiro de laranja doce
que sobe do seu travesseiro enquanto você dorme
que me
disse
( em festa )
:
deve ser isso, então, que chamam de
amor.Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
Quero o livro
← voltar aos autores
Preparando…