Naira Diniz
TUDO ME LEMBRA…
Às vítimas de relações abusivas Tudo me lembra de teus lábios traidores, De tuas palavras, como punhais, de dores Encheram m’ a alma e a vida Tudo me lembra teu cínico riso, Fatal serpente, que sem aviso, Sufocou-me até que perdesse o ar! Tudo me lembra as promessas vazias, Que a todo momento me fazias Se não cumpriria, porque as fizeste? Tudo me lembra as solidões passadas, Violentas tormentas enfrentadas, Enquanto tu… Aonde estavas mesmo? Tudo me lembra os terrores infligidos, Ocultos nos olhos assustados e úmidos, E tu, indiferente, simplesmente ria Tudo me lembra os pensamentos aflitos, O desespero diante dos conflitos, Arrastando-se pelos dias e horas sem fim Tudo me lembra as carícias enganosas, Não passavam de espinhos que das rosas A maciez sabem ferir Tudo me lembra as horas de agonia, A calmaria que precedeu a doce epifania, Quando da prisão me retirei Tudo que me resta são as duras marcas, Lembranças arrastadas pelas asas Dum tempo injusto e cruel Tudo que quero é viver em liberdade
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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