O Amor é Um Grito · página 227

Murilo Melo

METamorFOSE

              No peito, um compasso a se formar!
            Batimentos firmes batucando: amar, amar, amar...
              Células descompassadas em intensidade; dançam
         Formam-se sínteses arruinadas, intencionadas, inéditas.
         É o coração amando, paralelo a vida exigindo evolução.
                O amor exigindo entrega,
  a vida pega, a razão nega, o sentimento exagera e transborda a equação.
                 Menos parar e mais se mexer,
                  menos exatidão e mais amar.
              Somos o que somos, amando, por amar...
         Corações, quando apaixonados, soam mais alto, e gritam:
                “Casulos não são eternos quando se ama!”
           A mudança é o passo entre a crisálida e o voo.
          O amor muda porque expandimos amando!
             Ele enxerga a infinitude da humanidade inacabada,
                         enquanto escuta;
                                   lateja, faz latejar.
                                  tateia, faz tatear.
                                  fareja, faz cheirar.
                  Saboreia o inimaginável, e faz degustar.
     O amor enxerga, e faz vislumbrar; a si e ao outro, aos outros...
                   Combina diversificadamente,
               combina mentes, iguais e distintamente,
                         divergentes se encaixam,
                       convergentes se abraçam.
            Há força no laço ilógico, humano e difundido.
       É através do amor que aguçamos a percepção dos sentidos,
                expandidos, e, sem ponto final, sentimos..

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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