Maria Félix
A CONSTÂNCIA DO AMOR
Na viagem eterna dos tempos, o amor persiste, insiste Como o eco do sagrado e profano, não desiste. Na traição de Adão, na história da origem, O amor transcende o erro, a culpa, o abismo. Na oferenda do fruto proibido, deu- se o conhecimento, Mas Adão desfez o laço do sentimento. Pois o amor não tolera o que não é cúmplice do fato. Ele partilha o desejo, é plano e é tato Fragiliza-se na traição da negação do ato. Em Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Amaram com o fervor, de uma vida incompleta. Mesmo na morte, o amor não se anula, É a chama que queima, nas almas perdura Camões, em versos, fez do amor um canto, Platônico ou carnal, segue o seu encanto. É toque, é espírito, é corpos entrelaçados, É fome, é ritual, é riso e pranto Nem a era digital o anulou Não o fez ínfimo, nem frio ou sem desafio Quem o subestimou, testemunhou Essa estranha conexão Não o esvaziou. Cantado, orado, pintado, digitado, descrito e escrito, em cada época resiste, É poesia, é música, é romance que persiste É lágrima, é alegria profunda, é o pulsar do coração, É a sinfonia da eterna conexão. O amor não se apaga, é eternamente forte, No tempo e além, desafia a morte.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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