O Amor é Um Grito · página 73

Luana Peixoto

PING-PONG

paixão, salvo-conduto poético
inaudita prece sem apelo
descabido som predileto
minou em mim anágua semântica
antimatéria estrábica
ambígua diáfana

paixão, do joelho enfim de pé
regular o tempo passa mas peito pede
paixão, dor surda e dissonante do fundo de dentro e de onde
ressoa na telepatia quântica que tenta tatear em meio a névoa áurica
paixão, alquimia em olhares, quase um medo
despontada penumbra na ponta do dedo do pé
carrancudo sorriso
rarefeito sonante
lunático estado
sadio, hermético e cinestésico

paixão, sim, não, entre

paixão, segunda língua que toca no peito sem dialética rasa
dialeto implícito
visceral metafísica
tateante exegese a gênese e o fim
paixão, calibre do ânimo
gatilho do ímpeto
labiríntica aporia
inverso estado fásico
manifesto congruente sistêmico e anti sintomático
desvelo enredado e ponto.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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