Lila Arévalo
ME DIGA AÍ NERUDA
A saudades absurdas que me invadem Me consomem na madrugada longa de uma lua canceriana Sinto Desejo Suspiro Deito e fecho os olhos Será que se eu sonhar te encontro? Será que no sonho ainda somos? O que? Um dia você me perguntou O que somos? Eu não soube dizer Quis gritar que éramos amor, o mais puro de todos! Mas tive medo De você sair correndo Porque eu achava que isso ia te apavorar O que eu não imaginava Era que você temia que eu não te amasse O que somos? O que poderíamos ter sido? A madrugada, as saudades, tudo só pulsa E eu penso no verso famoso de Neruda “Que importa que meu amor não pudesse guardá-la A noite está estrelada e ela não é mais minha”
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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