Liana Timm
SORVO DE TI
antes eu tratava de sair assim laboratório de metais sem flores e máscara de carne e tratava de rondar no breu o desamanhecer fiel a esse tipo ausente onde tudo é nada ou quase onde não importa é chave clave moderato antes eu velava olhos pele embrulhava corpo alma numa refratária competência sempre sóbria hoje ao invés de opaca cintilo como humana criatura entre teus dedos rasgo instruções resguardos e tomo como minha a tua boca na descoberta dos momentos de fome sorvo de ti a luz que prova interminável o desejo de amantes que amam como não sabiam hoje o coração avermelhado antes quieto de anemia jorra arde não se sacia diante deste misterioso ato de embriaguez diante de um despudorado fato que parece na minha vida não cabia
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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