Leonardo Augusto
QUANDO VOCÊ ME MOSTROU BRANDURA
sou enólogo de amor desde o rompimento do cordão então veja bem, conheço amor. o que eu não conheço — perdão, o que eu não conhecia é: uma noite confessei um pecado era um copo de veneno que me dei de beber fiz sem razão, fiz sem nexo, e fiz porque podia pecar. uma noite confessei um pecado e ciente de todos os amores que bebi eu sabia o resultado da angústia: eu pensei, agora você vai concluir o serviço agora você me desonra e me destrói. uma noite confessei um pecado sem lágrimas e sem euforia era um erro efêmero e um descuido casual eu me arrependi e quis fazer diferente. uma noite confessei um pecado na luta por fazer algo diferente e esperar outro resultado que não daquele tipo de amor que eu tanto conhecia; duas mãos no meu pescoço que gritariam, “você é a extensão do seu pecado”. uma noite confessei pra ti algo que não gostava em mim e você fez o que eu não sabia que era possível fazer. você me olhou de volta. seus dedos enormes cobriram minhas mãos seu semblante torto e ameno a decepção esperada ali presente mas também outra coisa. eu conhecia amor mas não conhecia sua extensão: você me deu perdão. fomos pra casa. você me amou. e você me deu perdão.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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