O Amor é Um Grito · página 61

Jean Sartief

REGRESSO

O homem perdido leva-me para a minha infância
e pergunta-me sobre a verdade (sem reservas)
desta casa habitada cheia de teias. Aranhas florais.

O tapete furado, o colchão rasgado,
as rachaduras – tantas e todas elas.
O mofo embaixo dos meus pés.

A verdade diz que aqui (sempre,
entre todos os desastres) existiu espaço para o amor.
A medida do sentido das coisas.

Quando encontrei o teu retrato,
esse almanaque em que me senti vivo,
o homem perdido deixou de existir.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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