O Amor é Um Grito · página 33

Felipe Cubas

CANTO À ALVORADA

Quando Aurora de dedos róseos sai
Iluminando o mundo com sua graça
Oculta, na verdade, sua ansiedade
É pro seu eterno amado volver,
Numa mescla de carinhos e afetos
Pelas horas que pertencem à Nix.
Por Zeus, quantos beijos! Que quente abraço!
O fogo queima o incessante leito
Até que Hélio lha clame à labuta
E a diva Aurora concede descanso
Ao seu amado humano imortal.
Esse, embora desfrutasse do amor
Da titã, verdadeiro e intenso,
Sofria amargamente por teu desejo:
Há muito tempo implorou ao pai
Dos olimpianos: “Deus de minha raça,
Conceda a mim a imortalidade
Para mia Aurora no amor envolver”
Zeus atendeu-o como a seus diletos,
Mas foi-lhe tão cruel quanto fora à fênix:
Fez Titono de imortal e palhaço!
Sem juventude, logo veio o defeito
Da velhice e sua mísera conduta.
Apesar da aparência e do ranço,
Aurora amou-o com força total,
‘té que nele restasse apenas dor.
Por pena, mostrou seu amor imenso:
Fê-lo cigarra com beijo derradeiro

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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