Felipe Cubas
CANTO À ALVORADA
Quando Aurora de dedos róseos sai Iluminando o mundo com sua graça Oculta, na verdade, sua ansiedade É pro seu eterno amado volver, Numa mescla de carinhos e afetos Pelas horas que pertencem à Nix. Por Zeus, quantos beijos! Que quente abraço! O fogo queima o incessante leito Até que Hélio lha clame à labuta E a diva Aurora concede descanso Ao seu amado humano imortal. Esse, embora desfrutasse do amor Da titã, verdadeiro e intenso, Sofria amargamente por teu desejo: Há muito tempo implorou ao pai Dos olimpianos: “Deus de minha raça, Conceda a mim a imortalidade Para mia Aurora no amor envolver” Zeus atendeu-o como a seus diletos, Mas foi-lhe tão cruel quanto fora à fênix: Fez Titono de imortal e palhaço! Sem juventude, logo veio o defeito Da velhice e sua mísera conduta. Apesar da aparência e do ranço, Aurora amou-o com força total, ‘té que nele restasse apenas dor. Por pena, mostrou seu amor imenso: Fê-lo cigarra com beijo derradeiro
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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