Elisa Fleming
ALHO
Todos os dias ela escolhe um por um,
debulha
espalha no tabuleiro velho e cheio de marcas
de tantos cortes
O capitato da mão
que serve de martelo
solta a casca
Ora bate fraco para não explodir os dentes pequeninos
Ora bate mais forte pra liberar os dentes maiores
Um por um
A mão vai ficando cheia de cola
de cheiro
Que impregna,
toma conta dos sentidos
Saliva
Arde o corte de faca esquecido na falange média do indicador
Ela olha cada pedacinho picado bem pequeno
a borbulhar dourado na panela
enchendo a casa
de cheiro
de perfume
E no exercício da paciência
a vida vai nos ensinando que rotina é segurança
E amor.Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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