O Amor é Um Grito · página 282

Diógenes Sousa

PÍLULAS POÉTICAS PARA PAIXÕES PERMANENTES

I.      Quando tudo parece pronto, chega a vida e aumenta um ponto.
Reviravolta, redemoinho, redescoberta. A alma dança em polvorosa, que
coisa mais gostosa, a poesia vira prosa. Ela vira o rosto para receber o beijo.
Eles dançam como se estivessem à beira de um precipício. Se caírem, que
voem. Se voarem, que voltem...

II.     Amar poderia ser um verbo reflexivo. Você se olha e se ama.

III.    O sol entra no quintal sem pedir licença, parece você entrando nos
meus poemas, como se já tivesse a chave da porta

IV.     Matar um poeta não faz sentido. Ele encontra sentido na morte. Ele
perde seu norte quando sua inspiração o sufoca em vez de o libertar, quando
sua voz se cala, ecoa o grito forte. O que mata um poeta? A felicidade.

V.     Em tempo de amores líquidos, eu rio.

VI.     Se você flor, eu voo.

VII.      Foi parar de se afetar, que se encheu de afeto. Foi parar de se cobrar,
que começou a se cobrir de amor.

VIII.     Antes dela contava os passos. Agora conta estrelas. Conta seus
segredos e se apertam pelos cantos. Ensaiam num canto e cantam pelo
encanto, de hoje ser sorriso o que outrora era pranto.

IX.      Te desejo amor. E uma vírgula.

X.       Poesia é proferir palavras para a própria paixão.

XI.     Tomar o amor no copo. Molhar as palavras. Se o amor é mudo, ele
não te muda.

XII.    Tem gente que se acha. Eu prefiro me encontrar.

XIII.   O tempo. Sabemos que ele faz falta e não sabemos o que fazer
quando o temos. O amor é como o tempo.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

Quero o livro
← voltar aos autores
Ouvir
Voz
Velocidade Pronto