Diógenes Sousa
PÍLULAS POÉTICAS PARA PAIXÕES PERMANENTES
I. Quando tudo parece pronto, chega a vida e aumenta um ponto. Reviravolta, redemoinho, redescoberta. A alma dança em polvorosa, que coisa mais gostosa, a poesia vira prosa. Ela vira o rosto para receber o beijo. Eles dançam como se estivessem à beira de um precipício. Se caírem, que voem. Se voarem, que voltem... II. Amar poderia ser um verbo reflexivo. Você se olha e se ama. III. O sol entra no quintal sem pedir licença, parece você entrando nos meus poemas, como se já tivesse a chave da porta IV. Matar um poeta não faz sentido. Ele encontra sentido na morte. Ele perde seu norte quando sua inspiração o sufoca em vez de o libertar, quando sua voz se cala, ecoa o grito forte. O que mata um poeta? A felicidade. V. Em tempo de amores líquidos, eu rio. VI. Se você flor, eu voo. VII. Foi parar de se afetar, que se encheu de afeto. Foi parar de se cobrar, que começou a se cobrir de amor. VIII. Antes dela contava os passos. Agora conta estrelas. Conta seus segredos e se apertam pelos cantos. Ensaiam num canto e cantam pelo encanto, de hoje ser sorriso o que outrora era pranto. IX. Te desejo amor. E uma vírgula. X. Poesia é proferir palavras para a própria paixão. XI. Tomar o amor no copo. Molhar as palavras. Se o amor é mudo, ele não te muda. XII. Tem gente que se acha. Eu prefiro me encontrar. XIII. O tempo. Sabemos que ele faz falta e não sabemos o que fazer quando o temos. O amor é como o tempo.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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