Daniela Fantin
O AMOR NÃO DÓI
O amor não dói Dizem os especialistas, os coaches, os gurus, os teóricos Em 1 minuto e 30 segundos despejam suas salivas E vendem teses, testes, práticas e os cinco passos De como demover-se, desimplicar-se, defender-se De tal verso que implora rimar amor com dor Mas dói Dói um pouquinho Quando a distância me lembra que tu é pássaro Guiado pelos desejos e direitos migratórios E que outros olhos serão privilegiados da tua presença rara Dói um pouquinho Quando a saudade faz crescer no peito Um girassol a se estender na direção de quem se ama Dói um pouquinho Quando a palavra áspera, o detalhe some E você não ouve como eu te amo só pelo meu jeito De dizer teu nome Dói um pouquinho Quando náufragos amamos depressa demais Por vaidade ou por medo que se desfaça a estrada Ou falte água para a partida E as cordas não possam mais ser soltas E os barcos se percam dentro da cidade No fundo dos relógios O amor é cheio dessas pequenas dores Banhadas da sutileza que é abraçar a impermanência.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
Quero o livro
← voltar aos autores
Preparando…