O Amor é Um Grito · página 219

Artur Hermano

ESTRANHOS

É um mundo difícil, e às vezes pequenas irrelevâncias levam a grandes
dramas, guerras e tragédias, mas eu continuo acreditando na bondade de
estranhos

Na madrugada nebulosa em que um refugiado me deu refúgio em um país
estrangeiro, uma luz na escuridão, que brilhou mais forte que o castigo da
Torre de Babel

Na noite chuvosa em que três desconhecidos me socorreram quando eu
desmoronei em público, seu fulgor de estrelas cadentes me fez acreditar em
pedidos realizados pelo astral

Até mesmo naquele dia tão claro, as lanternas daquele grupo de estranhos
brilharam mais forte que o sol quando me guiaram pelo labirinto escuro

Os sorrisos, remédios e companhias em uma terra distante, na ilusão de viajar
sozinho, quando na verdade estava cercado pela minha Grande Família

E a minha irmã, salva por tantos cujos nomes ela não sabia, trazida de volta,
incrédula e com o maior sorriso, interno, que eu já vi... Ela tentou esconder
a surpresa e alegria, mas eu vi através de seus olhos a luz mágica, acesa por
incógnitos

As aventuras guardadas na minha memória estão sempre sob um céu
estrelado, e cada lampejo é um sorriso de gratidão ao longo da jornada. Não
existem estranhos – tudo é um.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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