André Eitti Ogawa
FILHO
o jantar impaciente aguardou intocado a noite toda os vegetais dantes fumegantes molejavam o jazigo frio a carne perdeu suculência as manhãs já não são aquelas do café estendido abraçado ao cachorro a poltrona moldada ao traseiro nos dedos a textura do jornal faz dias que o rádio não toca os livros juntam poeira à noitinha dançamos o balé do silêncio da mais severa biblioteca maestro das madrugadas orquestro a sinfonia de fraldas cólicas e puns que da janela fazem o sol despontar no horizonte a paternidade a maternidade é quando tudo que era importante deve ficar pra depois e a nova forma de amor ternamente nos brutaliza pra melhor.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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